Jacques Villeneuve e seu Pai Gilles Villeneuve

O piloto Jacques Villeneuve entrou para a história do automobilismo por ser um dos quatro únicos pilotos que conseguiu encerrar a sua carreira com um título de campeão da Fórmula Indy e Fórmula 1. A paixão pelas corridas foi parte do legado deixado por seu pai, o lendário Gilles Villeneuve, piloto da era de ouro da Fórmula 1 que faleceu num tráfico acidente na pista. Vamos conhecer um pouco mais sobre a história de pai e filho que tornaram o nome Villeneuve sinônimo de talento ao volante?

Gilles Villeneuve – Um Piloto Brilhante

O canadense Joseph Gilles Henri Villeneuve nasceu no dia 18 de janeiro de 1950 na cidade de Saint-Jean-sur-Richelieu, na província de Quebec, Canadá. Seu falecimento aconteceu no dia 08 de maio de 1982 no município belga de Lovaina. O interesse pelo volante surgiu cedo, o pai de Gilles começou a ensinar o filho a guiar com apenas 7 anos de idade.

Quando completou 17 anos e tirou a sua permissão para dirigir Gilles deu início a sua carreira como piloto em competições locais de snowmobile e arrancada. No ano de 1972 passou a integrar a equipe Moto-Ski e já tinha seu filho primogênito, Jacques Villeneuve que seguiria seus passos. Em 1973 Gilles já estava na Fórmula Ford e havia conquistado o campeonato de Quebec além de ser reconhecido como o novato do ano.

A carreira entrou em ascensão a partir de 1976 quando Gilles impressionou o mundo ao vencer nove de dez corridas na Fórmula Atlantic arrebatando os títulos americano e canadense. Nesse mesmo ano ele foi convidado para disputar o GP de Pau, na França pela McLaren na Fórmula 2. Em 1977 com a chancela de James Hunt, Villeneuve foi contratado como terceiro piloto da McLaren, posteriormente foi contratado pela Ferrari como substituto do grande Niki Lauda.

Gilles Villeneuve na Ferrari

A contratação se deu por um motivo um tanto ingrato, os dirigentes queriam demonstrar que era o carro da escuderia que ganhava as provas e não os pilotos de maneira que podiam contratar um indivíduo sem experiência como Gilles. Na sua segunda corrida pela Ferrari Villeneuve se envolveu numa colisão com Ronnie Peterson tendo como resultado a morte de um fiscal de pista e um expectador que estavam em área proibida.

O ano de 1978 foi bastante difícil para Gilles que cometeu muitos erros e foi perseguido pela imprensa italiana que exigia resultados mais expressivos do piloto. Quando a temporada se aproximou do fim finalmente Villeneuve conseguiu encontrar o equilíbrio para seu estilo arrojado. Ele venceu o GP do Canadá entrando para a história como o único piloto canadense a ter conquistado a corrida em casa.

Piloto Feroz

Em 1979, Gilles, já estava se sentindo em casa como piloto da Ferrari e teve um ano bastante marcante ao fazer dupla com o sul-africano Jody Schekter. Os dois tiveram um desempenho excelente e muito similar sendo que Schekter foi quem ganhou o título da Fórmula 1 naquele ano deixando Gilles em segundo lugar.

Porém, não foi a segunda colocação que marcou esse ano na carreira de Villeneuve e sim a disputa feroz por uma posição com o piloto francês René Arnoux no GP da França. Gilles partiu para cima do piloto francês que o havia ultrapassado e após um festival de toques de rodas conseguiu chegar a sua frente na linha de chegada. Confira esse momento no vídeo abaixo:

Hoje em dia pode parecer estranho dizer isso, mas os carros da Ferrari já representaram grande dor de cabeça para os seus pilotos, especialmente para o promissor Gilles Villeneuve em 1980. O carro 312T5 foi uma grande decepção e o modelo 126C do ano seguinte não ficou atrás mesmo sendo turbo.

Mesmo pilotando um carro que não lhe dava o mínimo de competitividade Gilles conquistou dois GP na temporada de 1981, o de Mônaco e o da Espanha. Somando a isso ele ainda teve um desempenho memorável no Canadá completando a prova em terceiro lugar mesmo com o bico do seu carro partido prejudicando o seu campo de visão.

Guerra FISA-FOCA

Para entender como nasceu uma das maiores rivalidades automobilísticas é necessário voltar ao episódio que entrou para a história como ‘Guerra FISA-FOCA’. No ano de 1982 o piloto da Brabham, Nelson Piquet, chegou em primeiro lugar no GP do Brasil, contudo, na fiscalização após a corrida foi descoberta uma irregularidade que tornava o carro mais leve. O tanque de água cuja função era ‘resfriar os freios’ se esvaziava durante a corrida aliviando o peso do carro. A ideia da Brabham era encher o tanque novamente antes da fiscalização, mas não houve tempo hábil para tal.

O piloto brasileiro foi desqualificado e uma consequência direta foi que Bernie Ecclestone, presidente da Brabham e presidente da FOCA (Associação dos Construtores da F1) resolveu boicotar a corrida de Imola. As outras equipes associadas ao FOCA também aderiram ao boicote o que acarretou num GP com apenas 14 pilotos. Desses apenas 5 completariam a corrida dentre eles Gilles Villeneuve e seu colega de Ferrari Didier Pironi.

Villeneuve x Pironi

Quando os dois carros da Renault saíram da prova de Imola a Ferrari sabia que seus pilotos se sagrariam campeões então mandou que Villeneuve e Pironi reduzissem a velocidade. Pironi ultrapassou o colega que entendeu que era apenas uma forma de dar mais emoção para o público que foi assistir àquela decepcionante corrida.

Perto do final da corrida Gilles ultrapassou o companheiro, porém, dessa vez recebeu um ataque hostil de Pironi que acabou a prova em primeiro lugar. Depois do ocorrido o canadense jurou que nunca mais dirigiria a palavra para Didier.

O Trágico Acidente de Gilles Villeneuve

Duas semanas após a corrida de Imola, Gilles e Pironi, estavam novamente na pista para a classificação para o GP da Bélgica. O clima não podia ser mais tenso entre eles e quando percebeu que Pironi estava 1 décimo de segundo mais veloz o canadense resolveu arriscar tudo para fazer um tempo melhor. Gilles estava com o último jogo de pneus em seu carro e acelerou ao máximo na Butte quando viu que a sua frente estava o carro de Jochen Mass bem mais lento.

Com o objetivo de dar a passagem para Gilles, Mass, levou seu carro para a direita, porém, o piloto o canadense fez o mesmo. A Ferrari de Gilles atingiu a 200 km/h a traseira do March de Mass dando início a um acidente gravíssimo com diversas capotagens. Os cintos de segurança de Gilles se romperam e ele foi arremessado a cerca de 50 metros de distância. Apenas 35 segundos depois o médico chegou e deu início ao atendimento, porém, Gilles estava inconsciente e sem respirar. Entubado foi levado ao hospital onde chegou em cerca de 11 minutos, ele não ficou consciente em nenhum momento e na noite de 08 de maio de 1982 foi declarado morto diante da esposa.

Jacques Villeneuve – Continuação de um Legado

A morte de Gilles Villeneuve na pista de classificação não foi o suficiente para que ele recebesse as homenagens devidas, no entanto, anos após o ocorrido ele receberia a honra de ter seu nome novamente na pauta dos grandes campeões através de seu filho. Quando o pai faleceu, Jacques Joseph Charles Villeneuve, tinha apenas 11 anos, porém, não se intimidou em seguir os passos do lendário piloto que não tinha medo de colisões.

Em 1995 Villeneuve filho mostrou a que veio sendo o campeão da Fórmula Indy e as 500 Milhas de Indianapolis. Apenas dois anos depois, em 1997 ele se sagrou campeão da Fórmula 1, feito que infelizmente Gilles não teve tempo de realizar. Jacques é o quinto piloto da história a ser consagrado campeão das 500 Milhas de Indianapolis e da Fórmula 1.

Fórmula 1 de 1997

A história da conquista do título de 1997 começou um ano antes, quando em 1996 Villeneuve disputou acirradamente com Damon Hill (filho do campeão de Fórmula 1 Graham Hill). Os dois pilotos estavam próximos do título, no entanto, Jacques precisou abandonar o GP do Japão e viu o concorrente ser sagrado o vitorioso da temporada.

Em 1997 o canadense disputou o título com Michael Schumacher, dessa vez ele levou a melhor quando no GP decisivo do título o alemão acabou colidindo. Uma curiosidade é que Schumacher bateu no carro do próprio Villeneuve. No ano de 1998 a equipe de Jacques, a Williams, não lhe ofereceu um carro satisfatório e na temporada seguinte ele passou a integrar a equipe British American Racing.

Queda de Produtividade

Jacques Villeneuve chegou chamando a atenção por seu nome, mas também pela qualidade de pilotagem. Contudo, houve uma sensível queda de produtividade após a conquista do título em 1997. Depois de 4 temporadas ruins ele acabou sendo substituído na British por Takuma Sato. Em 2004 ele chegou a pilotar pela Renault se mudando em 2005 para a Sauber. No ano de 2006 ele sofreu uma lesão e foi substituído por Robert Kubica.

Estando desligado da Fórmula 1, Jacques, acabou se aventurando em outras carreiras como piloto das corridas de Endurance e na disputa 24 horas de Le Mans nos anos de 2007 e 2008. Participou ainda da Nascar a partir de 1997 além de ser piloto convidado de outras competições. Em 2015 ele disputou uma corrida de duplas da Stock Car Brasil.

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Categoria(s) do artigo:
Celebridades

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